Sutaco garante auxílio aos artesãos de São Paulo

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Foi-se o tempo em que artesão era uma profissão incerta. Em maio de 1970, foi criada a Sutaco (Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades), no estado de São Paulo. O principal objetivo do projeto é zelar pela preservação, promoção e desenvolvimento do artesanato paulista, enquanto manifestação cultural e atividade econômica. Com projetos em papel jornal, cerâmica, entre outros, o projeto é um dos destaques da Mega Artesanal, que acontece até este domingo, no Centro de Exposições Imigrantes.

Basicamente, o artesanato é a transformação de matéria-prima em produto acabado de forma predominantemente manual, com o auxílio de ferramentas ou máquinas simples. A partir dessa definição básica, seu trabalho do artista é pontuado com base na tipicidade, originalidade, perícia na execução, valor cultural, grau de manualidade, entre outros quesitos.

"O artesão domina e executa todas as etapas do processo de produção, podendo ser auxiliado por familiares ou trabalhar em grupo, mas não com a participação de trabalho remunerado (empregados)", explica superintendente Sônia Francine Gaspar Marmo.

A Sutaco realiza pesquisa em todo o estado, sempre em busca de novos artesãos, técnicas e materiais usados. "No PPA (Planejamento Plurianual) dos próximos quatro anos, que norteia o orçamento e as ações da autarquia, prevemos também a ampliação e reorganização de nosso acervo de peças artesanais, da biblioteca/midiateca de artesanato e a realização de um grande mapeamento do segmento do estado todo", afirma a superintendente.

Os artesãos também podem regularizar suas situações profissionais na Sutaco. Quem desejar se cadastrar deverá preencher o formulário no site do projeto. Em seguida passará por uma avaliação. "Assim que nos certificarmos de que o artista cumpre os requisitos legais que definem o que é artesanato ou trabalho manual, ele recebe uma carteirinha atestando seu ofício", garante Sônia.

Esse documento de identificação é exigido por muitas instituições que contratam ou cedem espaço para essa classe. Além disso, com essa carteira ele pode receber notas fiscais e tem direito a um informe de rendimentos. "Já houve um caso, por exemplo, de uma artesã que teve acesso ao financiamento do "Minha Casa, Minha Vida", porque conseguiu comprovar seus rendimentos por meio da Sutaco", revela Sônia.

Outro beneficio é o auxilio na comercialização: "Nós vendemos peças adquiridas por nós ou tomadas em consignação em nossa lojinha, em feiras realizadas em vários pontos do país e em outros eventos. Pretendemos começar também a fazer vendas online", explica a responsável.

A Sutaco promove feiras para os membros cadastrados. Sônia conta que a escolha dos expositores é feita com base na originalidade dos produtos, perícia na execução, representatividade, tipicidade e atratividade para o público em geral. "Há um rodízio permitindo que, de tempos em tempos, novos artesãos apresentem seu trabalho", comenta. A feira é realizada, no mínimo, uma vez por mês, podendo chegar à marca de quatro eventos em trinta dias.


Os membros também podem participar de cursos de qualificação e recebem notas fiscais. Os interessados devem enviar um currículo, comprovação de experiência e projeto de curso durante o período de inscrições. Todos os aprovados passam a constar no "cardápio" de cursos da Sutaco e podem ser contratados para dar aulas em diversas instituições - de escolas, hospitais e presídios a associações de moradores.

Por Bianca de Souza (MBPress)