Artesãos de rua: uma vida pela arte e liberdade

Artesão de rua uma vida pela arte e liberdade

Foto/ Catharina Apolinário

O artesanato de rua é realidade em muitas cidades do Brasil. Diversos artesãos estão diariamente nas ruas vendendo e produzindo sua arte, e são popularmente chamados de "hippies". Brincos, colares, acessórios, artigos de decoração, tudo produzido a partir da criatividade dos artistas, utilizando materiais diversos para tecer peças únicas. Mas estes artesãos sofrem preconceito e repressão por terem como ateliê as ruas e escolherem um estilo de vida diferente do convencional.

O artesão Gean Santos (24), há quatro anos anda pelo Brasil com a sua mochila produzindo e vendendo artigos artesanais. O artesão vive a filosofia rastafári e preza sua liberdade de ir e vir. O trabalho do artesão utiliza diversos materiais como: arame, cerâmica, linha, material natural (sementes, cascas, madeira e penas), couro e massa de modelagem. Artesãos como Gean têm um estilo de vida diferente por estarem sempre nas ruas, por isso muitas vezes sofrem preconceito por parte de pessoas.

Gean já esteve nos estados do Piauí, Pará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Bahia e em diversos outros estados. O artesão vive nas ruas expondo seu trabalho em praças, marquises e bancos, que são, como ele mesmo diz, "a sala de casa". Ele consegue tirar com o artesanato renda suficiente para sua subsistência, mas se não vende nada pode passar "aperto". "Dependo da venda dos meus artigos para poder pagar para tomar banho, comer, lavar minha roupa, por que não tenho residência fixa", afirmou Gean.

O rapaz conta que escolheu viver desta maneira depois de conversar com um amigo que era artesão. O amigo lhe ensinou algumas coisas. "Ele me disse, senta do meu lado e olha o que eu faço. Assim que passamos nosso conhecimento um pro outro", explicou Gean.

Segundo ele, o preconceito existe, mas também existem pessoas que colaboram e valorizam o trabalho do artesão de rua. "As pessoas que gostam do hippie compram artesanato para ajudar, algumas compram por que reconhecem que são peças legais e exclusivas, nenhuma é igual a outra. Quem curte a arte quer saber sobre ela", finaliza Gean.

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Por Catharina Apolinário

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